Gigolo Solitário - Portugal no seu melhor

"Não se nasce impunemente nas praias de Portugal" - António Gedeão

12 Abril 2004

Porcos e leitões

Hoje vou fazer uma homenagem a uma classe a quem há muito é devida! Vou falar da mui nobre profissao de assadores porcos/leitões!
Haverá classe mais distinta e interessante do que a dos assadores de porcos/leitões?
Quando era miudo queria muito fazer desse o meu oficio para ganhar a vida!
Mas desde cedo os meus pais me cortaram as pernas e fui sujeito à barbarie do seu fascismo, porque senão vejamos, ser assador de leitões é como ser actor musico ou jogador de futebol, não se sabe bem se vamos conseguir chegar lá! É um caminho duro! Aliás há uma interrogação que logo se apodera do meu pensamento, como começar? Ninguem os conhece, ninguem sabe quem são, eles são tipo uma sociedade secreta a que muito poucos previligiados têm acesso, o mistério em que essa profissao está envolta é muito grande, pouquissimos afortunados conhecem um assador de leitoes! No máximo, há alguem que ouviu falar por alto de um amigo que conhece um amigo que conhece um!
Depois o boato é a nota dominante desta profissão, um desses boatos é que normalmente os assadores de leitoes nunca sao BEM da mealhada, e sim das aldeias circundantes, todas elas com nomes estranhos que ninguem conhece mas que lembram a lingua portuguesa vagamente: malaposta, barrô, etc...
Outro boato é que todos eles têm uma pickup branca, ou uma ford transit tambem branca, e que NINGUEM, mas NINGUEM sabe de onde vêm os leitoes que eles assam, decididamente não sao eles que os criam, pq eles têm outro emprego, que nunca se sabe bem qual é!
Depois tambem eles proprios já criaram um mito dentro do proprio mito eles sao uma grande fonte de lucros para a Água do Caramulo pois compram aquelas garrafas de 33 centilitros para deitar a agua fora e encher com aquele molho que, já agora, tambem ninguem sabe muito bem como é feito! No fundo, ser assador de leitoes e como pertencer a uma seita, a quem poucos têm acesso! É no fundo um modo de estar na vida!
A propria populaçao de felgueiras tem um pouco de assador de leitao, veja se a maneira como receberam o deputado Francisco Assis…. parecia mesmo que estavam a receber o porco para o assar!! Chegando mesmo a "queima-lo" um pouco!!! Aqueceram-lhe as orelhas mas nao conseguiram enfiar o pau!
Aposto que na Islandia não há assadores de leitões! Já os imaginaram naquela terra de tanto gelo? Não combina muito! E os islandeses altos e louros com aquele aspecto branco palido definitivamente não se coadunam com essa profissão, para alem de não me parecerem muito interessados em comer leitão! Até porque eles têm um aspecto assim calmo e pacato o que decerto não é a melhor das posturas para um verdadeiro assador!
Os homens Islandeses têm um aspecto insano. Li algures que 39,7% da população masculina desse país gostava de vestir socas de madeira, uma capa de super homem e um laço côr-de-rosa na ponta da pila, para fazerem sexo.
Fico aliviado quando penso que por lá não existem assadores deste calibre....
Por outro lado acho que os leitões islandeses tambem não devem ser muito apeteciveis, devem sofrer de depressão, já que naquele país frio e gelado não deve haver muita coisas para fazer.
Acho que estamos no país certo para essa profissão tão digna e misteriosa!
Daqui deixo um apelo aos pais deste país, se os vossos filhos quiserem seguir carreira por favor, não os proibam, o país precisa deles! Não deixem morrer esta gloriosa profissao!
Eu estou de olho!

14 Julho 2003

A questão nacional

A nação está de facto a viver umas das suas maiores crises da sua longa história! Para além da questão das finanças públicas e do défice, da pedofilia, da polícia corrupta e do divórcio de Sofia Alves, eis que batemos no fundo com uma questão fortíssima.
Numa simples esplanada de café, um indivíduo falava muito energicamente com o amigo, num tom pouco normal, acerca de uma problemática essencial para o país. Segundo ele, um certo jornal desportivo andava, supostamente, a difamar o Benfica. Eis a conversa na sua íntegra (pessoas sensíveis devem evitar ler esta parte pois a linguagem é grotesca!):
- É todos os dias merdas a foder o SLB! Isso não se admite! É tudo uma foda de merda, é tudo uma cambada de filhos da puta, com isso ninguém mexe! É um assunto intocável! Isto tem que andar para a frente, muitos adeptos de futebol e do Benfica já o fizeram: eu se fosse a ti não comprava nem mais um
jornal!
Pausemos momentaneamente para pasmar ante o impressionante esclarecimento mental deste senhor. Percebe-se logo o motivo da revolta do fervoroso e insigne adepto: apenas uma questão elevada quanto esta – e não ao alcance de todos, repare-se - poderia mover em alguém tão justa indignação. Mas eis que o seu interlocutor indaga:
- Oh, Alípio! Mas Porquê? Achas que eles são tendenciosos?
O que foi ele perguntar! Num ápice a sua expressão facial transforma-se: enruga a testa preocupada, revira os seus olhos coléricos e furiosos. Cerra o punho e com o olhar tresloucado diz:
-Aiii caraaaalho! - parecia um cigano a praguejar - Eles só querem foder o glorioso! É que é sempre a mesma merda, e eu e muitos já andamos fartos de ser feitos de farrapos! O maior clube de Portugal e dos maiores do mundo, o mítico Benfica?!? Olha que é assim que é conhecido lá fora, em Espanha! Não podemos ser tratados desta maneira, é uma vergonha! Andam a usar o nosso SLB!
O homem estava em choque! Parecia que o estavam a desmembrar, qual porco na matança!
Como é sabido, o português tem um talento literário nato, uma intimidade forte com a palavra, e este caso é paradigmático disso mesmo. Alípio é um orador por excelência, um verdadeiro mago da dialéctica! Não existe lugar para galimatias no seu eloquente discurso! Para além de todo o sentimento imposto no discurso, faz uma representação quase que teatral deste drama que Portugal inteiro anseia ver terminado, tal como uma criança sovada implora que cesse o injusto açoite!
Bem dizem que somos um país de poetas! Que belas metáforas tive ocasião de ouvir!
Mas exploremos o outro lado da questão: não se pode pensar em aeroportos da OTA, estádios para o Euro ou listas de espera nos hospitais, enquanto fenómenos gravíssimos destes macularem a nossa sociedade! É inconcebível que em pleno século XXI assistamos a uma barbaridade destas!
Este problema pode muito bem ser a gota de água para que caminhemos para o caos nacional! A já de si frágil auto-confiança portuguesa pode ter perfeitamente dado o último passo na direcção do abismo.
Parafraseando Alípio e muito bem: “Andamos fartos de ser feitos de farrapos!”
Não é possível que num estado de direito que acabou com uma ditadura fascista de 40 anos haja um jornal que subverta por completo todos os desígnios impostos pela liberdade! Liberdade de imprensa? Ha! Conceito jocoso que permite que o vil difamador escape ao verdugo da justiça !
Estas são as grandes questões que merecem reflexão! Como se pode ser leviano e ingénuo ao ponto de encarar a fuga de capital para o estrangeiro numa altura de crise com a seriedade e transtorno que deveriam ser aplicados na resolução deste problema? Alípio personifica elegantemente a mais premente das questões nacionais! Para enfrentarmos outras batalhas mais somenos, urge retirar do caminho o maior obstáculo...
Ah, e não se esqueçam: eu estou de olho!

08 Julho 2003

Portugueses e Lusitanos

Como já devem ter percebido, eu sou um patriota. Tudo o que escrevo não tem outro objectivo que não seja educar o português, apenas exemplificando com os erros que comete. Nessa linha, vou hoje dissertar acerca de uma problemática que tem vindo a grassar pelo nosso país: a crescente portuguesice.
Passo a explicar. Em Portugal existem dois tipos de pessoas: os Lusitanos e os Portugueses. O Lusitano ama a pátria, orgulha-se dela e a sua própria presença no território enriquece a Nação. É uma pessoa valorosa. Vê-la falar ou agir recorda-nos de Viriato, de D. Afonso Henriques e de Vasco da Gama. Eu sou um Lusitano. Contrastando, temos o Português que, não se limitando a não fazer nada pelo país, ainda o faz regredir. O Português é o Zé Povinho, que não só não se orgulha de Portugal, como ainda se envergonha da sua raíz. É o homem que se comporta exactamente como o estereótipo de português de gema: com parolice e labreguice Q.B. O grau de portuguesice varia desde uma portuguesice discreta até à portuguesice com todo o savoir-faire: nunca olvidar a boca à pedreiro e coçar as partes pudendas (válido também para as mulheres).
Não me interpretem mal: o Português é tão necessário a Portugal como o Lusitano. Os períodos mais prósperos da nossa história são caracterizados pela existência de um equilíbrio saudável e natural entre Lusitanos e Portugueses. Mas a coisa começa a piorar quando, como nos dias de hoje, se assiste a uma massificação da portuguesice e a uma diminuição assustadora do número de Lusitanos.
O leitor poderá, legitimamente, pensar que o Português é o Lusitano sem orgulho, mas tal não é verdade. O Português é tudo isso e muito mais. Talvez exemplificando me faça entender melhor.
Em toda a parte há Lusitanos e Portugueses. Por exemplo, na política – ao contrário do que se possa pensar, a distinção entre Lusitanos e Portugueses nada tem em comum com a diferenciação entre esquerda e direira - temos como Lusitanos Bagão Félix, Jorge Coelho e, embora custosamente para alguns, Ferreira Leite. Por outro lado, a lista dos Portugueses é encabeçada por Durão Barroso, Paulo Portas e Carlos Carvalhas. O que disse eu? É preocupante, não?
Rui Veloso é Lusitano. O Tim e o Vitorino são Portugueses, pelo amor de Deus! Então o Vitorino deve ser o maior deles todos, esse parolo! Judite de Sousa é Lusitana. José Rodrigues dos Santos é um Português bem disfarçado. Em jeito de remate, todos os membros do Jet-7 são todos Portugueses. Esses coirões de merda quase me fazem pensar que eu próprio sou Português, porque me envergonho de partilhar um país com eles.
Estes exemplos servem perfeitamente para consolidar o conceito. Agora demonstrarei como a portuguesice está a alastrar de forma preocupante. A televisão é o meio perfeito para a alastrar: deve haver uma conspiração de Portugueses poderosos que a usam como veículo de transmissão.
O exemplo mais marcante é o facto de Camilo, o velho destroço, estar a aparecer demasiado na televisão. Quem se rir com as piadas deste cadáver decrépito é necessariamente Português. Só consigo explicar o relevo que este velhadas está a receber como sendo caridade, uma vez que está às portas da morte (a sua comédia está morta há muito; acho mesmo que nunca nasceu). Outro aspecto transtornante da portuguesice em Portugal é o programa da Marina Mota. Muito gosta essa vaca de pintar os dentes de preto e falar à atrasada. Se lhe querem fazer o gosto, abram um canal só para ela, e enfiem-no lá para o meio dos da TV por cabo, para que ninguém seja castigado com aquilo! Por fim, temos o Nicolau Breyner, Lusitano recentemente convertido à portuguesice, que, no seu mais recente concurso televisivo, olha para as meninas bailarinas que lhe vão entregar os cartões como uma criança olha para a montra de uma loja de gomas. E já o viram a falar com elas? Quase que se baba, o porco!
Temos que acabar com isso! Temos que voltar aos montes Hermínios, temos que voltar a chacinar mouros, temos que voltar a acabar com ditaduras! Enquanto houver predominância de Portugueses em Portugal, estaremos na cauda da Europa! É necessário um grande esforço para lutar contra a labreguice (é quase remar contra a maré), mas sabem que podem contar sempre comigo porque... eu estou de olho!

07 Julho 2003

Broeiro "à la carte"

Portugal continua no seu melhor! Não há crise capaz de vergar o tão próprio espírito luso! E hoje mesmo tive essa confirmação, quando ao deambular pelas ruas me deparei com um espectáculo digno de um rei!
Ao que parece, e supostamente, ia haver um desfile etnográfico, evento onde o folclore nacional mostraria toda a sua riqueza: os cantares, dançares e vestires portugueses iriam sair à rua pela mão de músicos populares! Nem sei se lhes chame músicos, "rancho" parece-me mais adequado. Sim, porque há que dicotomizar música popular de "rancho". Um "rancho", a meu ver, envolve uma parafernália muito maior que a simples música popular. O que eu vi hoje era indubitavelmente um "rancho".
O cenário é facilmente imaginável: a velhada com o seu banquinho articulável, os “paparazzi” de serviço com a camara montada em tripé para que nada escape, o pastel de bacalhau, o garrafão de 5 litros que incontornavelmente será Dão (tinto, claro!) para mitigar a sede, tão inimiga das esperas demoradas ao sol, e ceiras e ceiras e ceiras atulhadas de alimento, não vá a força abandonar o corpo! Colorindo ainda mais o já de si berrante ambiente, faz-se ouvir o brado a plenos pulmões de uma voz de mulher esganiçada: "Ó Júúúúlio, queres uma sande de chóriças? Ou queres que ponha a morcela???" E ainda falam dos ciganos...
Como seria de esperar, os intervenientes queriam expor toda a abastança que o folclore nacional tem para oferecer: meias, saias, socas, coletes, casacos, boinas... Isto, com um calor abrasador! Que bonito espectáculo que é ver todas estas roupas em cima de um português anafado! Eu, que estava a metros de distância, não escapei ao poderoso cheiro que provinha daquela amálgama de carne coberta! O aroma era náuseo, era de estrebaria... Fui chacinado! Mas fui o único: tal odor não impedia os intervenientes de dançarem e saltaricarem energicamente, quais gorilas na bruma! O público também não parecia incomodado: pelava-se para não perder pitada, arreando tenazmente na bucha previamente preparada, e no já referido Dão.
Enquanto tocavam o bandolim e a concertina, instrumentos indispensáveis em tais empresas, tive oportunidade de reparar na riqueza das letras das canções: bem dizem que somos um país de poetas! As pérolas "Ó Rosa, dá-me um beijinho", "Amanhã vou à fonte" e o clássico "Olarilolé" encabeçavam a lista de cantares entoados pelos músicos.
Nem a típica cena do progenitor pedagogo faltou, que, preocupado com a formação moral do catraio, admoesta o petiz com veemência, falando pelo farto bigode, e com a mão no ar, com a certeza de que este era o último aviso: "Anda lá, ladrão, que te coço o pêlo!!"
Eis o domingo perfeito em família! Um verdadeiro espectáculo de incivilidade e tacanhez de espirito, uma lição de provincianismo catedrático! Mas que cambada de labregos! Quem é que se lembra com um calor destes organizar uma merda de um festival de ranchos e bailaricos?!? O cheiro a sovaco nas roupas populares era tanto que estas vão ter que ser queimadas! Chamam a isto preservar a cultura? Só em Portugal!
Ahhh, se Eça fosse vivo! Sentir-se-ia como no seu tempo. Tal como ele disse: onde há português há copo, bucha e bordoada! Quod erat demonstrandum.
A roupa muda, mas a brutidade permanece! Continuamos a não passar de uns campónios!
Eu estou de olho!

06 Julho 2003

Os biltres

Este texto e dedicado aquelas pessoas que gostam de usar sandalias com meias.
Ahhh como gostava eu de ser um daqueles monarcas absolutistas, a quem nada e proibido e tudo e possivel! Decretaria imediatamente, morte por electrocucao todos quantos fossem apanhados nesses preparos, e de uma broeirice e de uma falta de tacto a toda a prova!
Sera que nunca ninguem vos disse o quao ridiculos ficam com essa combinacao? A serio, chega a tornar-se impossivel nao rir de tao absurdo que e!
Expliquem-me, por que eu nao entendo, qual o objectivo de andar de meias e sandalias?!? Supostamente a sandalia e para ter o pe mais fresco no verao, ora seguindo a logica se usam sandalias e porque esta calor e querem ter os pes a uma temperatura mais baixa, certo? Entao porque caralho tapam voces os vossos "bestelos" com meias???
Nem vale a pena referir a questao estetica, realmente e lindo ver uma meiinha branca, com aquelas sandalinhas estilo legionario romano abertas por tudo quanto e lado, ou estilo frade, em cruz! Fica a matar!
Ja para nao mencionar a verdadeira paneleirice que e um gajo, andar com um calcado que e em tudo similar ao da mulher, tem fivelazinha, presilha e tudo!! Parem e pensem na figura de totos que estao a fazer!
Bom, ha sempre aqueles casos, em que a pessoa quer utilizar a sandalia, mas tem as unhas tao porcas e encardidas que normalmente apresentam uma cor amarelada ou negra, estilo casco de cavalo! E por vergonha colocam uma peuga para nao se ver essa obra-prima do desmazelo!
Desenganem-se tambem nao serve como desculpa, ja ouviram falar em pedicures ou mesmo medicos?? (ha medicamentos para eliminar fungos do organismo)
Se o caso for cronico e nao houver nada a fazer, amputem os malditos dos pes, agora poupem-nos desse cenario dantesco!
Ao contrario do que possam estar a pensar estes considerandos tem um sentido pedagogico e instrutivo! Vamos la fazer deste pai­s um sitio minimamente decente e civilizado!
Por favor nao usem sandalias com meias, e muito gay!
Eu estou de olho!